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4
Presidente da Repblica
Fernando Henrique Cardoso
Ministro de Estado da Educao
Paulo Renato Souza
Secretrio Executivo
Luciano Oliva Patrcio
Secretria de Educao Especial
Marilene Ribeiro dos Santos
FICHA TCNICA
Coordenao: SORRI-BRASIL
Elaborao: Maria Salete Fbio Aranha e Ana Rita de Paula
Projeto grfico, reviso e copydesk: BelmontCom. Comunicao Integral
Agradecimentos: Equipe Tcnica da Secretaria de Educao Especial
Tiragem: 10.000 exemplares
Autorizada reproduo total ou parcial, desde que citada a fonte.
Projeto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanncia de todos
os alunos na escola - Alunos com necessidades educacionais
especiais,
Braslia: Ministrio da Educao, Secretaria de Educao Especial,
C327 2000
I 96p.: il.
Iniciando nossa conversa.
1. Viso histrica.
2. Deficincia no contexto escolar.
3. Sensibilizao e convivncia.
4. Construindo a escola inclusiva
5. Adaptaes curriculares de grande porte.
6. Adaptaes curriculares de pequeno porte.
CDD: 372.6
CDU: 342.71
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Novos Conceitos, Novas Emoes.......................................................................
Aceitao Sem Imposio...................................................................................
Conversando Com a Classe...............................................................................
Conversando Com os Pais..................................................................................
As Atividades.........................................................................................................
Conhecendo e Tornando Familiares os Equipamentos.....................................
As Coisas que Nos Ajudam.....................................................................................
Simulando as Deficincias.....................................................................................
Simulaes de Ajuda.................................................................................................
Como  Ser um Deficiente Visual?...........................................................................
Adivinhe Pelo Tato....................................................................................................
Como o Deficiente Visual Usa a Bengala Longa......................................................
Minhas Mos No Funcionam Como Deveriam.......................................................
A Paralisia Cerebral Pode Afetar a Fala.....................................................................
Sentada X Em P....................................................................................................
Prancha de Comunicao.........................................................................................
Assistindo TV - Como  Para uma Pessoa com Deficincia Auditiva?......................
O Intrprete de Lngua de Sinais...............................................................................
Folhetos e Materiais Impressos.................................................................................
Temas para Redao................................................................................................
Dramatizao Criativa................................................................................................
Histrias de Gabriela Costa - O que Eu Digo Agora?................................................
Discusso em Grupos...............................................................................................
O que os Alunos Devem Saber Sobre Paralisia Cerebral...........................................
Questes Para Discusso Sobre Paralisia Cerebral................................................
Questes Para Discusso Sobre Deficincia Auditiva.............................................
Filmes........................................................................................................................
Livros.........................................................................................................................
Livro de Recortes......................................................................................................
Amigos.......................................................................................................................
Visitas Bem-Vindas..................................................................................................
Envolvendo a Comunidade.......................................................................................
ndice
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Novos Conceitos, Novas Emoes
Como voc sabe, mudar nossos valores, nossas atitudes e nossos comportamentos
 um processo difcil, pois envolve nossa histria cognitiva e emocional,
especialmente quando entramos em contato com novas informaes e novos
conceitos.
Assim, ao abordar a questo da deficincia em relao com a nossa sociedade,
 muito natural que se manifestem sentimentos como medo, pena, raiva,
repulsa. Tais sentimentos esto muito ligados ao desconhecimento e s idias
preconcebidas que existem com relao s pessoas que porventura apresentem
necessidades especiais.
Este manual tem por objetivo oferecer sugestes de atividades que voc,
professor, pode desenvolver em sala de aula, visando favorecer que os alunos
envolvidos no processo de construo de um sistema educacional inclusivo possam
manifestar e tratar, aberta e dignamente, seus sentimentos a esse respeito.
Lembramos que  fundamental que as atividades sugeridas sejam consistentes
com o nvel de compreenso e de interesse de seus alunos e que possibilitem
a vivncia e a reflexo sobre os vrios tipos de deficincia: fsica, mental,
sensorial, etc.
Aceitao Sem Imposio
Apesar de a integrao de crianas com necessidades educacionais especiais
na rede regular de ensino ser um direito garantido pela Constituio Federal,
isso no  suficiente para garantir a construo e o desenvolvimento de um sistema
educacional inclusivo. Para tanto,  necessrio que a comunidade escolar se disponha
a aceitar e a participar desse processo, que  mais complexo do que
somente inserir a criana com deficincia, fisicamente, numa sala de aula comum.
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O movimento de transformao no pode ser imposto, mas tambm no
pode depender exclusivamente de decises pessoais e das reaes emocionais
de um ou outro profissional. Inicia-se na atuao dos dirigentes educacionais
e alicera-se nas aes dos professores que, como lderes, so
agentes de essencial importncia na transformao desse sistema, no caso,
de segregatrio para inclusivo.
Conversando Com a Classe
Antes de se iniciar um trabalho com alunos com
necessidades educacionais especiais em classes
comuns do sistema regular de ensino,  necessrio
que seja feito um preparo dos demais alunos
para a convivncia na diversidade, enfatizando a
importncia das diferenas entre indivduos, de
maneira geral.
A diversidade constitui a base do desenvolvimento das relaes humanas,
j que somos todos diferentes uns dos outros, o que no faz de ningum
melhor ou pior como pessoa e cidado.
Os comportamentos de rejeio e de superproteo  diferena devem
ser desvelados, discutidos, compreendidos e modificados, inclusive como
parte da ao educativa da escola, que  formar cidados ativos, conscientes,
crticos e responsveis.
Como qualquer outro contedo pedaggico,  importante que voc inicie
um dilogo a partir das vivncias concretas de seus alunos a respeito das
pessoas com deficincia.
 Voc conhece algum com deficincia? Quem  essa pessoa?
 Como voc se relaciona com ela?
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 Que tipo de sentimentos ela desperta em voc?
 O que acharia de ter colegas com deficincia na classe?
 Acredita que seria legal, que teria o que aprender com ele
ou o que lhe ensinar?
Uma atitude de respeito e de dignidade no trato desse fenmeno, por si
s, j transmite a seus alunos um modelo que se fortalece na convivncia
com um colega que tenha uma deficincia.
Conversando Com os Pais
Da mesma forma que  fundamental preparar
os alunos para abrir espao e receber seus
colegas com necessidades educacionais especiais
e outros tipos de deficincia, tambm 
muito importante sensibilizar e envolver seus
pais, para compreenderem, aceitarem e colaborarem
para que essa mudana se concretize com
vantagens para todos.
De maneira geral, os membros da famlia desejam cumprir com o seu papel de
educadores, no mbito informal de ensino. Para isso, eles necessitam de informao,
de orientao, de se sentirem parte do processo.
A implementao de grupos de pais tem sido uma ao bastante positiva no
sentido de fortalecer as relaes da escola com a famlia, e de estimular famlias a
serem participantes e cooperativas no processo de desenvolvimento de seus filhos.
Para tanto,  importante que se planeje a realizao de reunies sistemticas
de grupos de pais, nas quais se possa conversar sobre o processo
de ensino e aprendizagem dos alunos, abordando a questo de
suas necessidades.
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Pais, professores e dirigentes costumam concordar, quando se queixam
de que as reunies no funcionam, apesar das razes apresentadas por cada
um serem diferentes.
Se formos, entretanto, analisar seu contedo, fica mais fcil termos a
compreenso do porqu eles assim se sentem! Geralmente, os dirigentes
da unidade escolar falam sobre as regras da escola, sobre o sistema de
controle dos alunos, bem como se queixam aos pais quanto ao mau desempenho
e/ou comportamento de seus filhos... assim, todos so obrigados a
permanecer sentados, durante horas, ouvindo repreenses vazias e indevidas,
j que esse procedimento historicamente jamais produziu efeitos no
processo de ensino e aprendizagem de qualquer professor e aluno!
Outra atividade tambm bastante comum nas reunies,  submeter os
pais presentes  broncas da direo, dirigidas queles que faltaram, o que
torna o momento ainda mais maante, sem sentido e irritante.
Como queremos que a famlia reflita, repense e se envolva com o processo
de ensino e aprendizagem desta forma? No poderamos aproveitar desse
tempo para realizar palestras de profissionais especializados, para discutir
questes relacionadas ao desenvolvimento do aluno, para dialogar a respeito
das peculiaridades e necessidades das crianas, buscando, em conjunto,
identificar formas de participao da famlia?
Acreditamos que sim. Por isso, apresentaremos, a seguir, sugestes de
atividades que podem favorecer tais processos.
As Atividades
As atividades sugeridas a seguir foram testadas e aprovadas por professores
de classes comuns, em conjunto com professores de classes especiais.
 importante respeitar o esprito de tais atividades, mas  claro que voc pode
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e deve ser criativo. Elas podero e devero ser enriquecidas com a sua criatividade
e a dos alunos. O importante  que os conceitos sejam transmitidos de
forma clara e divertida, e que a participao dos alunos seja sempre voluntria.
As atividades podem ser basicamente de dois tipos:
1. as simulaes, que favorecem a ampliao perceptual do que  conviver
com caractersticas e conseqncias de deficincias, como por exemplo:
 corrida de obstculos - alguns participantes podem simular a deficincia
fsica, fixando revistas atrs dos joelhos (com fita crepe), ou prendendo
nas costas, tambm com fita crepe, um ou ambos os braos. Outros ainda
podem simular a deficincia visual, amarrando uma venda nos olhos e
cuidando com que no passe por ela qualquer claridade;
 cinema mudo - os participantes podem simular a deficincia auditiva,
assistindo a trechos de filmes sem som e procurando acompanhar o que as
pessoas esto falando, bem como compreender a histria. Outros participantes
podem tambm simular os problemas implcitos na comunicao
no verbal entre pessoas surdas e pessoas ouvintes: procurar compreender
uma mensagem transmitida exclusivamente por meio de gestos;
2. as que envolvem mais a reflexo intelectual sobre o assunto, tais como:
 discusso em grupo sobre filmes, peas, desenhos, etc., que tenham
como personagens, principais ou secundrios, pessoas com deficincia;
 redao sobre um personagem existente ou criado pelos participantes;
 familiarizao com alguns equipamentos usados por pessoas com
deficincia por meio da introduo de alguns deles dentre outros objetos
usados comumente por todos (como escova de dentes, sapatos, talheres,
etc.). Pode-se solicitar aos participantes que procurem identificar a
funo social de cada objeto;
 coleta de notcia sobre o tema em jornais e revistas.
Obs.:  muito importante que os participantes sejam incentivados a dizer
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como se sentiram durante as atividades, principalmente naquelas em que
so simuladas vivncias de deficincias, pois sabemos que estas podem se
constituir em experincias muito enriquecedoras e marcantes para a pessoa.
Compartilhar esses sentimentos com os demais tem sido sempre bastante
proveitoso para todos.
Conhecendo e Tornando Familiares os
Equipamentos
As Coisas Que Nos Ajudam
Coloque numa caixa de papelo diversos objetos que usamos em nossas
atividades e tarefas do dia-a-dia, como por exemplo, um par de escova de dentes,
um par de culos, uma chuteira, equipamentos de mergulho, uma rgua, um
capacete, talheres, etc. Inclua tambm alguns equipamentos usados por pessoas
com deficincia: um aparelho auditivo, um livro em braile, uma bengala longa,
uma muleta, um aparelho ortopdico, etc. Rena um pequeno grupo de alunos e
pea a cada um deles que selecione e retire um objeto da caixa. Voc pode
incentivar uma discusso sobre como aqueles objetos podem ser teis. Essa
idia  adequada principalmente para crianas pequenas, e tem por objetivo
ajud-las a perceber as limitaes sob uma tica mais positiva, por meio da
familiarizao com equipamentos de apoio usados por pessoas com deficincia.
Quando os objetos usados pelas pessoas com deficincia so intercalados
com os objetos usados pelas pessoas sem deficincia, as crianas aprendem
que, da mesma forma que elas usam a escova de dentes para fazer a tarefa de
realizar a higiene bucal, as pessoas com deficincia visual usam o alfabeto braile
para ler e a bengala longa para se locomover; as surdas usam o aparelho para
ouvir; as pessoas com deficincia fsica usam muletas para se locomover, etc.
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Essa atividade pode ser complementada com
uma outra, durante a qual as crianas escolhem um
objeto usado por pessoas com deficincia e fazem
um desenho de algum que o esteja utilizando.
Geralmente, quando as crianas travam um
primeiro contato com uma pessoa que usa um equipamento
diferente, elas se sentem to curiosas e
atradas por esse objeto estranho que, s vezes, at se esquecem de que 
uma pessoa de verdade que est usando esse objeto. Proporcione uma oportunidade
para que os alunos conheam cadeiras de rodas, prteses de membros,
bengalas, muletas, botas, aparelhos ortopdicos e de surdez, bengalas para
cegos, livros em braile, regletes (objetos para escrever em braile.)
Voc pode pedir emprestados esses equipamentos a entidades e instituies
de sua cidade e aos educadores especiais, os quais podero ajudar
voc a conhecer mais sobre seu uso, assim como lhe dar noes da lngua
de sinais, etc.
O contato inicial das crianas com os equipamentos  interessante, pois
ele permite que elas faam perguntas, que os toquem e que descubram o
que so e para que servem, sem constranger ou prejudicar o usurio. Quando,
posteriormente, pessoas com deficincia visitarem a escola, as crianas j
estaro familiarizadas com os equipamentos e prestaro mais ateno  pessoa
do que aos objetos que ela usa.
Simulando as Deficincias
Promova atividades de simulao, durante as quais os alunos podero vivenciar
uma deficincia. Essas experincias permitem que eles percebam as dificuldades
das pessoas com deficincia e como elas eventualmente podem se sentir.
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Simulaes de Ajuda
Como  Ser um Deficiente Visual?
Objetivo - Ajudar as crianas a perceberem como  precisar
de ajuda e como oferecer e dar ajuda a uma pessoa
com deficincia visual.
Material - Vendas pretas para todo o grupo.
Procedimento - Divida o grupo em pares, sendo que enquanto
uma criana representar a pessoa cega, a outra ser o acompanhante.
Aps um certo tempo, a dupla dever inverter os papis, de forma que aquele
que representou a criana cega, ser agora a acompanhante, enquanto que
aquele que foi o acompanhante, ser agora a criana cega. Explique claramente
que todos os alunos tero a oportunidade de vivenciarem os dois papis: o de
criana cega e o de acompanhante. Explique que o papel do acompanhante 
estar ao lado do cego para oferecer ajuda e dar essa ajuda quando for solicitada,
ou aceita. Explique que  importante perguntar se ele precisa de ajuda e de
que forma essa ajuda pode ser dada. Os pares sero orientados a realizar
diversas atividades, tais como: ler um material escrito na biblioteca da escola,
tomar gua no bebedouro, pedir uma informao na secretaria, dar um passeio
no ptio da escola, utilizar o banheiro, etc.
Discusso - Em pequenos grupos formados pelos pares originais, discuta
as seguintes questes:
1. Como voc se sentiu simulando uma pessoa com deficincia?
2. Voc acha que ficou mais atenta para perceber os sons e sentir os objetos?
3. Como voc se sentiu simulando o acompanhante?
4. Como acompanhante, quais as coisas que voc fez para ajudar seu
colega cego?
5. Seu colega cego concorda com voc?
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6. Voc sentiu mudana na sua atitude quando estava vivenciando ser
cego e quando estava sendo acompanhante?
7. Qual a melhor forma que voc e seu companheiro cego encontraram
para fazer as atividades juntos?
8. Foi mais difcil ser o cego ou o acompanhante? Por qu?
Explique aos alunos que a simulao de caminhada que acabaram de
fazer  parecida com a atividade de orientao e mobilidade que os alunos
cegos tm com educadores especiais, para aprenderem a se locomover
com segurana e confiana.
Adivinhe Pelo Tato
Objetivo - Proporcionar aos alunos conhecimentos
sobre a sensibilidade ttil, mostrando
a eles como uma pessoa portadora
de deficincia visual desenvolve o sentido
do tato.
Material - Sacola de papel, uma coleo
aleatria de objetos, tais como: um lpis,
uma ma, um livro, uma xcara, etc. Faa
seis cartes de cartolina com botes colados
(como na gravura) para representar
o alfabeto braile.
Procedimento
1. Divida os alunos em grupos de trs ou
quatro.
2. Estimule os alunos a sentirem, com
os olhos vendados, os objetos que esto
dentro da sacola.
ALFABETO BRAILE - Em 1825 na
Frana, um jovem cego, Louis Braille,
inventou um sistema de leitura e
escrita para uso de pessoas cegas.
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3. Cada um dever identificar um objeto dentro da sacola.
4. Pea a cada um dos alunos que descreva como conseguiu identificar o
objeto, ou seja, se a identificao foi possvel pela forma, textura, cheiro, etc.
5. Coloque os cartes de cartolina dentro de uma outra sacola e passe-a entre
os alunos, pedindo para que cada um deles descreva o que percebeu no carto.
6. Os alunos devem continuar a sentir os cartes dentro da sacola, at que
todos tenham identificado e descrito a localizao dos botes em relevo.
Discusso - Tire os cartes da sacola e identifique as letras representadas no
alfabeto braile. Explique aos alunos que eles acabaram de vivenciar a forma
como as pessoas cegas desenvolvem o sentido do tato para serem capazes de
ler o alfabeto braile e de perceber o mundo  sua volta. Discuta com o grupo as
seguintes questes:
1. Foi fcil identificar os objetos dentro da sacola? Por qu?
2. Foi fcil identificar os cartes? Por qu?
3. Quais as dicas que diferenciam um carto braile do outro?
4. Voc acha que o alfabeto braile  um cdigo secreto usado pelas
pessoas cegas?
Como o Deficiente Visual Usa a Bengala Longa
Objetivo - Simular o uso da bengala longa para aprender a realizar atividades de
orientao e mobilidade com pessoas com deficincia visual.
Material - Vendas para os olhos e guarda-chuvas ou sombrinhas para cada aluno.
Procedimento
1. Divida os alunos em grupos de quatro, designando um deles para
simular a pessoa cega, um para ser o acompanhante e dois outros para
serem observadores.
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2. Demonstre o uso da bengala longa, segurando a sombrinha a sua frente
em direo ao cho e movimentando-a lateralmente em forma de arco
enquanto caminha.
3. Coloque um aluno  sua frente, segure em seu cotovelo direito e caminhem
juntos.
4. Diga para os alunos caminharem em pares da mesma forma como
voc demonstrou.
5. Selecione uma direo para eles caminharem. Um deles usar a venda
nos olhos e a bengala longa e o outro ser o acompanhante.
6. Oriente cada observador para anotar num papel as situaes em que a
bengala ajudou.
Discusso - Quando todos os grupos tiverem voltado, proponha a seguinte
discusso:
Para o cego
1. Como a bengala ajudou voc?
2. Quais as coisas que voc conseguiu perceber com a bengala longa ?
Para o acompanhante
1. Como a bengala o ajudou?
2. Voc se sentiu mais relaxado porque seu companheiro estava usando
a bengala? Por qu?
Para os observadores
1. Como a pessoa cega usou a bengala?
2. Ela parecia mais confiante ou tmida?
3. Se voc fosse a pessoa cega, voc usaria a bengala de forma diferente?
4. Voc acha que a bengala deu mais confiana  pessoa cega?
5. Quando usada adequadamente (isto , quando a bengala  segurada
em frente  pessoa e movida para os lados), a bengala longa pode ser
de extrema ajuda para a pessoa cega. Se voc fosse cego, gostaria de
ter uma?
6. Se voc tivesse uma bengala longa como voc a usaria?
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7. Conte para os alunos que existem bengalas longas, mdias e pequenas,
adequadas para cada pessoa de acordo com a sua altura. O comprimento
da bengala deve ser igual  distncia entre o trax da pessoa cega
e o cho. Geralmente, elas so de alumnio e so dobrveis.
Minhas Mos No Funcionam Como Deveriam
Objetivo - Permitir aos alunos experimentar a rigidez
muscular que geralmente  conseqncia da paralisia
cerebral e a frustrao de no poder controlar os movimentos.
Material - Dois pares de meias grossas e uma camisa com botes (que voc
pode pedir que sejam trazidos de casa).
Procedimento
1. Agrupe os alunos em pares e pea a um em cada par para vestir
meias soquetes nas mos, amarrando os punhos com fita crepe.
2. Conte aos alunos que eles iro vivenciar como  ter paralisia cerebral,
tentando vestir e abotoar uma camisa, com as mos na condio 1.
3. D o sinal e pea aos alunos para vestirem a camisa, aboto-la, desaboto-
la e para se sentarem em frente ao seu par.
4. Pea a eles para trocarem de papel, o material, e repetir a experincia.
5. Quando tiverem terminado (alguns no conseguiro terminar a tarefa
em 4 ou 5 minutos), pea para eles flexionarem os dedos e estenderem
os braos.
Discusso - Forme o grupo de discusso e faa as seguintes perguntas:
1. Como voc se sentiu vestindo e abotoando a camisa com a luvas nas mos?
2. O que foi mais difcil?
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3. Como se sentiu com o seu par observando?
4. Voc j se sentiu com vontade de desistir de alguma coisa? Do qu?
Por qu? Quando?
5. Quando voc flexionou seus braos, o que sentiu?
6. Voc sentiu vontade de rir de algum alguma vez? Por qu? Por que no?
7. Converse com os alunos sobre seus sentimentos e observaes durante
a atividade. Explique que a rigidez que eles sentiram nos braos e nos
dedos  muito parecida com a rigidez muscular que a maioria das pessoas
com paralisia cerebral tem, muitas vezes no corpo todo. Para elas,  muito
difcil relaxar os msculos. O profissional que procura ajudar as pessoas
com paralisia cerebral a ficarem com a musculatura menos rgida chamase
fisioterapeuta. Para isso, o fisioterapeuta usa jogos e atividades parecidas
com aquelas que foram feitas depois da simulao.
8. Converse com os alunos sobre suas atitudes com relao  deficincia.
9. Como eles se sentiram sendo observados enquanto desenvolviam a
atividade. Converse com os alunos sobre como  ser observado ou ter
algum rindo enquanto tenta fazer alguma coisa com grande dificuldade.
A Paralisia Cerebral Pode Afetar a Fala
Objetivo - Favorecer aos alunos que experimentem a
dificuldade de falar e de ouvir algum com deficincia
na fala.
Material - Lpis e papel para cada aluno.
Procedimento
1. Fazer alguns minutos de silncio para permitir que os alunos pensem
em uma poesia, msica ou histria que eles saibam de cor. Encoraje-os a
pensarem em provrbios, jogos, canes de ninar, etc.
2. Pea para os alunos escreverem o que escolheram numa folha de papel.
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3. Faa grupos de quatro e explique que eles iro simular o que  ter uma
dificuldade na fala.
4. Pea aos alunos para apresentarem o poema ou rima escolhida para a
classe. S que eles tero de fazer isso pressionando a ponta da lngua no
fundo do cu da boca.
5.  muito importante que voc demonstre esta tcnica para os alunos e
reafirme a seriedade da atividade. Voc poder selecionar uma frase para
demonstrar a fala de uma pessoa com paralisia cerebral.
6. Faa os alunos seguirem os seguintes procedimentos:
 Um aluno diz sua parte, simulando a deficincia na fala.
 Os outros alunos assistem at que ele termine.
 Os colegas adivinham o que foi dito. Se eles no adivinharem, o aluno deve
tentar novamente.
 Se os colegas ainda no conseguiram compreender o que foi dito, o aluno
repete o poema sem simular a deficincia.
 A atividade continua at que todos tenham tido a chance de fazer a simulao.
Discusso - Quando todos os grupos terminarem essa atividade, escreva
na lousa as seguintes questes e pea aos alunos para pensarem nas
respostas, silenciosamente.
1. Como voc se sentiu simulando a deficincia da fala?
2. Como voc se sentiu ouvindo algum com deficincia de fala?
3. Qual das duas atividades foi mais difcil para voc? Por qu? Essa
atividade  bastante difcil, mas  extremamente necessria para que os
alunos possam ampliar sua viso sobre paralisia cerebral.  importante
que eles observem as atividades sob o ponto de vista tanto da pessoa
com deficincia da fala, como do ponto de vista do ouvinte, pois essa
deficincia afeta a comunicao entre ambos.
4. Converse sobre a deficincia da fala e mostre que muitas pessoas
pensam que todos aqueles que tm paralisia cerebral so pessoas com
deficincia mental porque falam devagar e com dificuldade.
5. Estimule os alunos a imaginarem como as pessoas com paralisia cerebral
se sentem quando so tratados assim.
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6. O papel do ouvinte tambm  muito difcil. Geralmente, os alunos
compartilham sentimentos como Eu me senti aliviado quando algum
do meu grupo adivinhou o que ele estava dizendo. Eu no agentava
mais ouvir Joana falando daquele jeito. Ou ento: Eu no queria olhar
para ela enquanto falava daquele jeito. Converse com os alunos sobre
o que significa ser um bom ouvinte.
7. Explique aos alunos que, s vezes, o ouvinte tem mais dificuldade
com relao  deficincia do que a prpria pessoa com deficincia.
Sentada X Em P
Objetivo - Favorecer com que os alunos vivenciem uma amostra do isolamento
que, s vezes, uma pessoa que usa cadeira de rodas pode sentir.
Material - Sala de aula grande, com cadeiras em volta, formando um crculo;
um cronmetro e uma sacola para colocar cartes com frases:
1. Meu programa de TV favorito
2. Meu prato preferido
3. O melhor animal de estimao
4. Meu passeio favorito
5. O maior susto da minha vida
Procedimento
1. Faa grupos de cinco alunos.
2. Solicite que um dos alunos enfie a mo dentro da sacola e retire dela um carto.
3. Coloque no meio do crculo uma cadeira de rodas, ou uma cadeira qualquer
que far as suas vezes. Um outro aluno do grupo dever sentar-se nela.
Conte ao grupo que cada um deles ir experimentar a situao de se sentar,
no centro do grupo, na cadeira de rodas, ou na cadeira que est fazendo as
vezes de cadeira de rodas.
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4. Explique aos alunos que eles iro ter a oportunidade de experimentar
um pouquinho do isolamento que uma pessoa na cadeira de rodas pode
sentir, quando est no meio de outras pessoas, todas em p.
5. Coloque os alunos no crculo e marque trs minutos. Pea a eles que
conversem sobre o tema constante do carto selecionado. Todos devem
participar da conversa.
6. Quando terminar o tempo, forme outro grupo de 5 alunos para entrar no
crculo e assim por diante, at que todos tenham participado da atividade.
Discusso - Faa as seguintes perguntas:
1. Voc se lembrou de incluir na conversa o aluno que estava na
cadeira de rodas?
2. O que voc fez?
3. Voc se esqueceu de que ele estava l?
4. Como voc se sentiu sentado no meio do grupo de alunos em p?
5. O que voc fez para participar da conversa?
6. Voc se sentiu mal alguma vez? Por qu? Por que no?
7. Discutir o fato de que muitas pessoas que usam cadeira de rodas
queixam-se que perguntas e comentrios so sempre dirigidos a
amigos e pessoas da famlia que estejam ao seu lado, ou que estejam
empurrando a cadeira de rodas, em vez de serem dirigidos a elas
mesmas. Ex: Uma mulher com deficincia contou que ela estava
em um restaurante quando o garom se aproximou e perguntou ao
marido dela como ela queria o seu bife. Converse com os alunos
sobre o motivo pelo qual essa mulher se aborreceu com o garom e
relacione esse exemplo com a atividade que eles acabaram de fazer.
8. Pea aos alunos para fazerem uma lista do que eles fariam se
tivessem um colega que usasse cadeira de rodas. O que eles fariam
para inclu-lo nas conversas?
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Prancha de Comunicao
Objetivo - Permitir que os alunos vivenciem as formas de comunicao
usadas por pessoas com paralisia cerebral que tm dificuldades para falar.
Material - Pranchas de comunicao que podero ser feitas em cartolina ou
madeira compensada.
Procedimento
1. Divida o grupo em pares e explique para os alunos que eles trabalharo
com uma prancha simulada.
2. Conte aos alunos que muitas pessoas com paralisia cerebral no podem
falar, mas, mesmo assim, tm pensamentos e idias para compartilhar
com as outras pessoas. As pranchas foram inventadas para que
as pessoas com paralisia cerebral possam se comunicar com os outros.
3. Usando as pranchas, pea aos alunos para, apontando as letras, soletrarem
uma mensagem aos seus pares. Eles devem se lembrar de
que no podem falar absolutamente nada.
4. Deixe os alunos formularem suas prprias mensagens ou entregue
frases datilografadas numa tira de papel para serem copiadas. D tempo
suficiente para que os alunos completem as mensagens, mesmo que
isso demore um pouco mais.
Discusso - Quando todos os alunos tiverem participado da atividade, faa
as seguintes perguntas:
1. Voc gostou de se comunicar dessa forma?
2. Foi muito difcil?
3. O que poderia ser feito para facilitar essa tarefa? Explique que algumas
pessoas com paralisia cerebral usam instrumentos eletrnicos que se
assemelham s pranchas que elas acabaram de usar. Essas pranchas
tm uma luz que se desloca pelas letras e a pessoa faz a luz parar nas
24
letras escolhidas. Algumas pranchas tm mais de 100 frases j prontas.
Hoje em dia, tambm existem sintetizadores de voz computadorizados que
fazem a mesma tarefa, isto , permitem que as pessoas com paralisia
cerebral expressem seus desejos, suas necessidades, seus sentimentos,
suas idias, etc. A propsito, voc pode tentar o emprstimo de uma prancha
dessas junto a entidades de pessoas com deficincia ou a prestadoras
de servio a pessoas com deficincia de sua cidade. Isso tornaria a atividade
ainda mais interessante. Mas o mais importante  conversar com os alunos
sobre como eles se sentiram e como seria se eles tivessem de se comunicar
dessa forma o tempo todo. Pergunte como eles se sentiriam se tivessem
na classe um colega que usasse uma prancha dessas e como eles
fariam para integr-lo nas conversas e nas atividades.
Assistindo TV - Como  Para uma Pessoa com Deficincia Auditiva
Objetivo - Favorecer s crianas a compreenso de que as
dicas visuais so essenciais para uma pessoa com deficincia
auditiva, no processo de informao social.
Material - Aparelho de TV. Papel e lpis para cada aluno.
Procedimento
1. Ligue o televisor para os alunos assistirem e tire o som completamente.
2. Enquanto os alunos assistem ao filme, observe suas reaes - isto ,
distrao, tenso, disperso, etc.
3. Quando o filme terminar, divida a classe em grupos de quatro. Entregue
as perguntas seguintes e solicite aos alunos que escrevam as respostas
em uma folha de papel. Compartilhe as respostas com o grupo.
 Qual era o tema do filme?
 Como voc sabe disso?
 O que voc no conseguiu entender?
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Discusso - Discutir no grande grupo:
1. Como voc se sentiu?
2. Quais foram as melhores dicas que ajudaram voc a entender o filme?
3. Voc acha que as pessoas com deficincia auditiva gostam de assistir  TV
e ir ao cinema?
4. Qual o programa que voc conhece que seria bom para pessoas com
deficincia auditiva assistirem?
5. O que poderia ajudar uma pessoa com deficincia auditiva a entender melhor
um programa de televiso ou um filme?
6. Conte para os alunos que as pessoas com deficincia auditiva usam seus
olhos para integrar as coisas do mundo  sua volta. Elas observam cuidadosamente
para entender o que est acontecendo  sua volta.
7. Fale sobre a surdez como uma deficincia que pode isolar as pessoas e
sobre como deve ser difcil para uma pessoa surda se envolver em uma atividade
com um grupo de pessoas ouvintes.
8. Discuta o papel da televiso na vida de todos e o efeito que ela tem sobre
uma pessoa com deficincia auditiva.
O Intrprete de Lngua de Sinais
Material - Cpias do seguinte pargrafo: A me de Mrcia pediu a ela e sua amiga
para irem fazer compras. As duas meninas deveriam comprar ovos, leite, manteiga,
frango, acar e po. Elas tambm deveriam comprar bales de gs para o
aniversrio de Patrcia.
Procedimento A
1. Dividir a classe em grupos de 4 ou 5 alunos, os quais devero sentarse
em crculo.
2. Voc poder solicitar a presena de um professor que saiba a lngua de
sinais ou de um intrprete, para que oriente a classe sobre as principais
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caractersticas dessa lngua falada por quase dois milhes de brasileiros.
3. Pea a um aluno que leia o texto enquanto o intrprete, que deve ficar 
esquerda do leitor, demonstra como interpretar a mensagem.
4. Pea  turma para observar que algumas palavras do portugus tm
sinais especficos para represent-las e outras, como conjunes e certas
preposies, no possuem um sinal especfico.
5. Pea  turma para observar, ainda, que a ordem das palavras na mesma
frase pode no ser a mesma quando transmitida em portugus e na
lngua de sinais.
6. D oportunidade para que vrios alunos possam transmitir o texto lido
por colegas, em portugus, para a lngua de sinais.
Procedimento B
1. O pargrafo acima contm algumas das palavras cujos sinais os alunos
aprenderam. Existem outras palavras que eles no podem sinalizar. Selecione
um aluno para ler e outro para servir como intrprete da lngua de sinais.
2. Faa os alunos selecionados para a leitura lerem o pargrafo. O intrprete
ficar  esquerda e interpretar a histria.
3. D oportunidade para vrios alunos fazerem o exerccio.
Discusso - Faa as seguintes perguntas:
1. Como voc se sentiu como intrprete?
2. Como voc se sentiu como locutor?
3. Voc achou difcil interpretar? Por qu e por que no?
4. Quais so as qualidades para um bom intrprete?
5. Discuta as habilidades de sinalizao com os alunos que se apresentaram
como intrpretes. Mostre que no somente a tcnica, mas
tambm a velocidade  essencial para um bom intrprete.
6. Discuta com os alunos as vantagens de um intrprete em salas pequenas.
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Folhetos e Materiais Impressos
As organizaes de pessoas com necessidades educacionais especiais
e as instituies prestadoras de servio a essas pessoas costumam ter material
impresso, como folhetos, para serem distribudos. Voc pode conseguir
esses folhetos e distribuir para os alunos que podero lev-los para casa e
mostr-los a seus familiares e amigos.
Temas para Redao
Os alunos devem discutir as situaes seguintes, que podem ser usadas
como temas de redao e de dramatizao:
1. Ronaldo est muito feliz porque inventaram o relgio e a escrita em
braile, pois essas invenes o ajudam a fazer muitas coisas. Um dia, um
grande inventor convidou Ronaldo para visitar seu laboratrio. Ele queria
descobrir alguma coisa nova para ajudar as pessoas cegas. Do que
voc precisa?, perguntou o inventor. 0 cu  o limite. Vamos descobrir
a maior inveno do mundo! Escreva sobre as coisas que Ronaldo pediria
ao inventor e faa um desenho dessas invenes.
2. Ronaldo e Patrcia esto indo para a escola. Dois meninos caminham
atrs deles. Ronaldo e Patrcia ouvem um deles dizer: L est Patrcia
com o quatro-olhos . O outro menino responde: O que voc quer dizer
com essa histria de quatro-olhos? Ronaldo no enxerga nada! Escreva
sobre o que acontece depois. O que Patrcia e Ronaldo fazem?
3. Salete e Bete esto voltando da escola. Elas vem Marcos e Borges
na frente. Salete, que  nova na escola, pergunta quem  aquele menino
na cadeira de rodas. Bete fala sobre Marcos e um pouco sobre paralisia
cerebral. As meninas alcanam Marcos e Borges. Salete ouve Marcos
falando e diz: Ei, voc  retardado tambm? Eu no entendo o que
voc diz!
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4. Durante uma feira de animais, um veterinrio foi fazer uma palestra
na classe de Marcos. Ele trouxe diversos slides e fotografias de bichos.
Jane perguntou a Marcos se ele gostaria de ser veterinrio. Ele respondeu
que seria muito divertido, mas que isso seria muito difcil para ele.
Jane pensou ento: O que esse menino na cadeira de rodas vai ser
quando crescer?
5. Num dia  tarde, chovia muito na hora do recreio, e o professor Ricardo
pediu que as crianas escolhessem um jogo e no corressem, enquanto
ele iria por alguns minutos at a sala do diretor. Marcos achou que, j que
o professor no tinha mencionado cadeira de rodas, seria divertido ter os
colegas como platia e torcida. O professor ouviu a baguna e voltou
depressa. Entrou na classe e disse: Marcos, venha c imediatamente.
6. Uma manh, o carro da professora de Mrcia enguiou. Como ela
morava muito longe da escola e no havia nibus que ela pudesse tomar,
telefonou ao diretor avisando que no iria, e uma professora substituta foi
para seu lugar. Quando o sinal tocou, a professora entrou imediatamente
na sala. Ela conversou com os alunos sobre as atividades do dia e comeou
a aula de matemtica. Tia Laura no sabia que Mrcia era deficiente
auditiva, e por isso ela tambm no sabia que deveria estar de frente para
Mrcia na hora de falar. Ela deu instruo para a atividade enquanto
escrevia na lousa. Quando Patrcia ia avis-la, ela voltou-se para Mrcia e
disse: Vamos logo. No fique a sonhando. Comece j!!
7. A professora de Mrcia, Tia Clara, est muito contente por t-la em sua
sala de aula. Ela tem ensinado muito a seus alunos sobre deficincia
auditiva e todos os alunos aprenderam um pouco da lngua de sinais, com
muita facilidade! Tia Clara est muito contente porque os alunos podem
se comunicar com Mrcia usando a lngua de sinais e Mrcia tornou-se
parte integrante do grupo. Um dia, entrou um novo aluno na classe. Braz
j est na escola h quatro dias e as crianas tm lhe ensinado alguns
sinais. Mas, numa manh antes da aula, Braz disse a Patrcia e Marina:
Eu no quero aprender essa coisa. Quem  que vai querer aprender
esses sinais bobos?  uma perda de tempo e a gente deveria estar
aprendendo outras coisas mais importantes.
8. Hoje est fazendo quase quarenta graus, diz Brbara. As outras
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crianas, Patrcia, Mrcia e Jane concordam que este  o dia mais quente
do ano. Voc tem um elstico ou uma fita para eu prender meu cabelo?
perguntou Jane. Patrcia diz que felizmente ela tem os cabelos curtos e
assim no sente tanto calor. Jane prende o cabelo e Mrcia faz sinais.
Boa idia, eu tambm vou prender os meus cabelos. Brbara olha para
Mrcia. No, voc no deve fazer isso!, ela diz. Por que no?, pergunta
Patrcia, Ela tem os cabelos compridos e hoje est muito quente. Brbara
sussurra no ouvido de Patrcia que Mrcia deveria deixar os cabelos soltos.
Assim o aparelho de ouvido dela no aparece, se ela prender o cabelo,
como Jane fez, todo mundo vai ver o aparelho!!!, ela diz.
Dramatizao Criativa
Os dilogos seguintes podem ser dramatizados pelos alunos ou podem
ser usados como temas de discusso em redaes.
O Acampamento
Personagens - Mrcia, uma jovem com
deficincia auditiva, Patrcia, Marina,
Roberto, Jorge e Davi.
Material - Aparelho de ouvido para
Mrcia (podem usar fones de ouvido ou
caixas de fsforo).
Cena - Os alunos esto reunidos, antes da aula comear, discutindo a ida
ao acampamento.
Jorge: Oba! S faltam duas semanas!
Marina: , s duas semanas pro acampamento. Eu nunca acampei antes.
Davi: Eu tambm no! No agento esperar mais.
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Mrcia: (Sentada a uns poucos passo atrs de Patrcia, fazendo sinais)
Eu quero, eu quero (ningum olha pra ela e todos continuam conversando).
Patrcia: Eu ainda estou pensando no que levar...
Roberto: Eu sei. Meu pai disse: No v levar a casa inteira.
Marina: Bom, a gente tem que levar o saco de dormir.
Davi: Eu emprestei um do meu irmo.
Mrcia: (Sinaliza, agora mais frentica) Eu tenho o meu! Eu tenho o meu...
Jorge: Um dia a gente vai escalar as montanhas.
Patrcia: E fazer nossa comida..., Mrcia, o que ?!! (Mrcia d uns tapinhas
em Patrcia e declara que eles a esto excluindo do grupo).
Marina: Puxa,  verdade. A Mrcia l os lbios da gente.
Roberto: E ela tem que olhar pra gente, quando a gente t falando! Puxa,
Mrcia, desculpe!
Pea aos alunos para discutirem um fim apropriado para o dilogo e depois
que todos concordarem com a finalizao, faa-os dramatizarem a cena
para a classe. Discuta a finalizao de cada estria.
Histrias de Gabriela Costa - O Que eu Digo Agora?
Personagens - Gabriela (uma jovem com deficincia mental), Patrcia, Marcos,
Sara e Joo (irmo mais novo de Gabriela).
Cena - Joo acabou de deixar Gabriela no lugar onde ela trabalha. Ele corre
para encontrar seus amigos.
Joo: Tchau, Gabriela!!
Gabriela: Tchau, Joo. Uma boa tarde para voc!
Joo: Obrigado, um bom dia de trabalho pra voc!
(Gabriela entra na fbrica e Joo corre ao encontro de seus amigos.)
Joo: Ei, esperem por mim!!! Vocs tambm esto indo pro mercado?
Patrcia: Sim, ns estamos.
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Marcos: Venha conosco.
Sara: Espere, Marcos!! Eu, bem, uhn...
Patrcia: Ei, Sara. O que aconteceu?
Sara: Nada, nada...
Marcos: Olhe, o Joo  nosso amigo. O que est acontecendo?
Sara: Olhe, Joo, voc  o irmo de Gabriela, no ?
Joo: Claro que sou. Voc sabe disso!
Sara: Ela  retardada, no ?
Joo: Sim, .
Patrcia: Aonde voc quer chegar?
Marcos: Sim, o que a Gabriela tem a ver com Joo?
Sara: Bem, se a Gabriela  retardada, ento...
Patrcia: Sara, eu no acredito nisso!!!
Sara: Bom, todo mundo na sua famlia  retardado, Joo?
Faa cada grupo improvisar uma concluso para este dilogo. Faa-os
apresentarem suas partes para a classe. Discuta cada concluso com relao
aos sentimentos de Joo e Gabriela e os sentimentos dos outros alunos.
Discusso em Grupos
O Que os Alunos Devem Saber Sobre Paralisia Cerebral - PC
Os alunos e mesmo alguns professores, por no terem familiaridade
com pessoas com paralisia cerebral, s vezes, ficam nervosos ou mesmo
com medo quando vem algum com PC.
Geralmente ficam curiosos para ver a cadeira de rodas ou o jeito
incomum com que as pessoas com PC caminham; ou ainda ficam impressionados
com os movimentos sem coordenao ou com o jeito de falar
desses colegas.
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A pessoa nasce com paralisia cerebral quando o crebro sofre um dano.
Mas, apesar do dano se localizar no crebro, geralmente so os movimentos e
a fala da pessoa que so afetados. Assim, a pessoa com paralisia cerebral s
vezes no consegue andar ou falar como as outras pessoas. Outras conseguem
caminhar bem, outras usam muletas, e outras ainda usam cadeiras de rodas.
Algumas vezes a fala  alterada e a pessoa baba porque os msculos da boca
so afetados. A fala vagarosa e difcil de algumas pessoas com PC, entretanto,
no significa que elas sejam deficientes mentais. A maioria pode fazer
muitas coisas e aprender to rpido como qualquer outra pessoa. Quando uma
pessoa com PC se locomove de uma maneira diferente  porque ela no pode
controlar os movimentos dos braos e das pernas, que ocorrem involuntariamente,
sempre que ela vai emitir um gesto voluntrio. Isso torna difcil, por
exemplo, segurar um lpis ou uma colher e comer de maneira elegante.
Questes Para Discusso Sobre Paralisia Cerebral
1. Por que s vezes temos dificuldade para entender o que uma pessoa
com paralesia cerebral diz?
2. Quais as coisas que uma pessoa com PC pode fazer sozinho?
3. Descreva como voc imagina que  o banheiro na casa de uma pessoa
com PC?
Questes Para Discusso Sobre Deficincia Auditiva
Use as questes seguintes para estimular a discusso em pequenos
grupos de alunos sobre como  ter deficincia auditiva.
1. Ser que  fcil esquecer que seu amigo  surdo? Por qu?
2. Por que  importante olharmos para uma pessoa com deficincia
auditiva quando estamos falando?
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3. A voz da pessoa com deficincia auditiva  diferente da voz das outras
pessoas. Por qu?
4.  difcil entender o que uma pessoa surda diz? Diga o porqu.
5. Finja que voc e sua amiga esto jogando. Nenhuma de vocs pode
falar, mas voc tem que dizer para sua amiga: Eu tenho que ir para casa
s cinco horas. Como voc diria isto para sua amiga, sem falar? Mostre
para classe como voc faria.
6. A lngua de sinais  uma lngua como o ingls ou o francs. Voc j
ouviu algum falando outra lngua? Onde? Voc j viu algum usando a
lngua de sinais? Onde? O que voc acha que eles estavam dizendo?
7. Como uma pessoa com deficincia auditiva faz para danar? Como
voc danaria com uma pessoa com deficincia auditiva? Que tipo de
msica voc gostaria de danar com ela?
8. Como seria ter deficincia visual e auditiva ao mesmo tempo?
Filmes
H um nmero cada vez maior de vdeos que podem ser alugados e exibidos
na sua escola, com personagens com deficincia. Fique atento, pois muitos
passam na televiso e voc pode recomendar a seus alunos que os assistam.
Esses personagens podem ser objeto de uma discusso em grupo.
Livros
Cada vez mais esto sendo publicados livros com personagens com deficincia,
ou sobre essas pessoas e os diversos tipos de deficincias. Voc
pode adquir-los e formar uma pequena biblioteca sobre o assunto, mas 
importante estar atento para recusar aqueles onde as pessoas com deficincia
so tratadas de forma estereotipada, isto , com qualidades sobre-humanas
ou ento como coitadinhos dignos de pena.
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Livro de Recortes
Os alunos mais velhos tambm podem ser estimulados a coletar e colecionar
fotografias e recortes de jornais com matrias sobre pessoas com deficincia.
Amigos
Voc tambm pode organizar passeios integrados entre seus alunos e os
estudantes de escolas ou classes especiais. Os alunos podem ser estimulados a
trocar fotos e cartas.
Visitas Bem-Vindas
Alm disso, acreditamos que depois de ter desenvolvido algumas dessas
atividades, seria uma boa idia convidar pessoas adultas, com deficincia, para
conversar com a comunidade escolar sobre sua vivncia, suas dificuldades e as
solues que encontraram para problemas enfrentados na vida. Geralmente, os
alunos aproveitam muito bem essas oportunidades para fazer todo tipo de pergunta
e satisfazer sua curiosidade natural. E as pessoas com deficincia, na sua maioria,
tm muito prazer neste contato e sentem-se gratificadas em participar dessas
atividades e poder conversar com a comunidade sobre suas necessidades especiais,
bem como sobre os suportes que lhes permitem viver na comunidade.
Envolvendo a Comunidade
O prximo passo, depois da preparao da classe para receber colegas com
deficincia,  proporcionar uma reunio onde os pais e familiares dos seus alunos
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possam tambm compartilhar desse novo conhecimento. Nessa reunio de Pais e
Mestres, os alunos podero relatar as suas experincias, os adultos com deficincia
podero falar sobre sua experincia de vida, bem como os alunos com deficincia
podero falar sobre a mudana de atitude dos colegas de turma, depois de passarem
pelo programa anterior de sensibilizao. Geralmente, as eventuais resistncias
dos pais com relao ao ingresso de alunos com deficincia na escola comum so
eliminadas quando percebem que seus filhos esto compreendendo e convivendo
saudvel e construtivamente com a deficincia em seu cotidiano escolar.

